Ecologia da Informação

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Ecologia da Informação

A ecologia da informação abrange um conjunto bastante mais alargado de perspectivas para além das Tecnologias da Informação e arquitecturas associadas, inclui ainda estratégias e culturas organizacionais, políticas económicas e financeiras, e opiniões pessoais e colectivas.

As disciplinas de referência são muito variadas podendo incluir áreas de interesse como a psicologia, a biologia, a economia, a ciência política e a organização dos negócios. Como se vê os tópicos abrangidos vão muito para além da simples arquitectura e engenharia de dados habitualmente utilizados nas metodologias clássicas de análise de sistemas de informação.

A perspectiva ecológica deve ser sempre multidisciplinar, abrangente, evitando ao máximo abordagens minimalistas suportadas apenas nas necessidades imediatas em informação da organização.

A filosofia holística da ecologia da informação é composta por quatro componentes: (1) integração de dados, (2) evolução da informação, (3) descrição e observação, (4) as pessoas e o comportamento organizacional. Todos estes aspectos têm referências análogas na ecologia do mundo físico. A maior, e provavelmente a única desvantagem da filosofia holística é a dificuldade de se conseguir fazer a conciliação entre as diferentes dimensões; o que fazer em primeiro lugar e as etapas a seguir são as maiores preocupações nos projectos sujeitos ao paradigma da ecologia da informação.

1. A integração da informação

O potencial da ecologia da informação deriva da diversidade da informação que as organizações têm ao seu dispor. Na maior parte das organizações é comum a coexistência de formas, e formatos, muito diversas de informação: digital, analógica, estruturada ou sem estrutura, texto, áudio, vídeo e, sobretudo, as pessoas como utilizadores desse manancial informativo.

A integração exige que não se dê uma particular preferência a um determinado tipo de informação, mas que se encontre um método que combine simultânea e harmoniosamente todos os media disponíveis.

Nos dias de hoje a integração só pode ser plenamente atingida após um processo de planeamento detalhado, independentemente dos meios tecnológicos, e em concertação com todos os agentes do ecossistema da informação.

2. A Evolução da Informação

A informação, tal como qualquer outro aspecto de um ecossistema, evolui ao longo do tempo. Assim, um sistema de informação por norma só é estável durante curtos intervalos de tempo. A única forma de lidar com esta característica tão dinâmica é a de produzir sistemas flexíveis, com elasticidade suficiente para se adaptarem às alterações que vão surgindo nas actividades e processos de exploração dos dados.

3. A Observação e Descrição

Uma melhor gestão da informação exige uma maior atenção à observação e descrição de todos os elementos constituintes de um sistema. A presunção de que após apenas uns dias, ou mesmo semanas, é possível descrever fundamentadamente um sistema é um dos erros mais comuns em engenharia da informação.

O ponto de partida usual na análise de sistemas é o de tentar prever o futuro, desenhar modelos para as futuras necessidades em informação da organização. Ora, isso é um absoluto paradoxo, pois com a pretensão de ser possível predizer o futuro, aquilo que de facto interessa, a descrição e a compreensão do modo de funcionamento da organização, é frequentemente desvalorizado, conduzindo a modelos de dados irrealistas, e que por isso raramente são realmente construídos.

A compreensão dos processos de negócio actuais é um elemento essencial e uma tarefa prévia a qualquer trabalho de desenvolvimento de novos processos organizacionais para actividades futuras e, como tal, ainda não existentes.

4. As Pessoas / Os Utilizadores

Na abordagem clássica à modelação de dados é dada uma clara preferência à produção e distribuição de informação sem tomar em consideração o meio ambiente envolvido. O modo como os "seres vivos" - os utilizadores - do ecossistema da informação vêm e tratam os dados é habitualmente um assunto que nunca é aprofundado ou sequer mencionado. Ou seja, pouco ou nada se sabe como cada utilizador processa, partilha, estrutura ecompreende a informação.

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